É o que penso
Há dias tenho acompanhado o desenrolar da história macabra do assassinato da menina Isabella Nardoni.
Ao contrário de quase todo o restante do Brasil, tenho tentado alimentar pensamentos e idéias que me permitam crer na inocência do pai e da madrasta da menina. Não por que já os julgue inocente, mas por que ainda não posso e nem quero julgá-los culpados e condená-los antes do devido julgamento.
É verdade, não posso negar, que todos os indícios, absolutamente, levam a crer na culpa do casal. Ao menos aqueles indícios que são apresentados na imprensa pelas autoridades envolvidas no caso. Ou que resultam das investigações.
O caso já virou uma novela mexicana, um enredo que parece não ter fim.
Jornalista, jurista, políticos, atores, apresentadores, curiosos, colegas de trabalho, religiosos, todo mundo tem um palpite, tem uma opinião, tem um comentário. Todos se acham no direito de dizer algo sobre esse assunto. Sempre condenando os que já foram condenados pela imprensa, pela polícia e pelo Ministério Público.
Tenho um filho. Ele tem 05 anos, a mesma idade da Isabella na noite em que foi assassinada. E um outro vai nascer em breve. E tenho uma família feliz, que vive numa casa confortável, se alimenta bem, tem carro para passear, tem acesso à saúde e educação de qualidade. Será que me falta alguma coisa? Será que falta alguma coisa ao meu filho? À minha esposa?
Meu filho não está acompanhando e não tem consciência, ainda, de nada disso. Ele tem pais que o amam, que o protegem, que o amparam. E estamos quase o tempo todo com ele (nós, os pais).
Agora penso mesmo naqueles que estão completamente esquecidos nessa história: os irmãos da menina Isabella, filhos daqueles que a sociedade brasileira, ou grande parte dela, já julgou e condenou como sendo os “monstros” dessa história.
Alguma culpa tem aquelas duas crianças?
Não?
Estão certos disso?
Mesmo?
Não merecem nenhuma punição?
Ora, parece que todos concordam na inocência das crianças. Então todos também concordam que não deveríamos permitir ou contribuir em nada para que aqueles pequeninos indefesos sejam atingidos pela tragédia que vitimou sua irmã. Errado.
Todos estão agindo como se eles não tivessem nenhuma importância, essa é a verdade.
Alguém está preocupado com a solidão deles pela ausência dos pais, dos avós, dos tios e tias, dos coleguinhas do colégio, enfim, de todos que os amam e que amam?
Respondo: NÃO!!!!!!!
É mais fácil e mais “rentável” buscar seus 15 minutos de fama do que manter-se íntegro, justo, racional e, sobretudo, humano diante dessa tragédia.
O que buscam os desocupados que se concentram na porta da casa dos familiares, na porta das delegacias, na rua em que moram os familiares dos acusados? Justiça? Ora, poupem-me!
Pobres crianças! Perderam sua irmãzinha querida, serão vistos futuramente por coleguinhas de escola como filhos do casal monstro que assassinou a menina Isabella (se forem condenados ou não), estão e permanecerão por dias em cárcere privado e, o pior de tudo, perderam o direito de serem amados e protegidos por pais amorosos e dedicados.
Esses sim, são vítimas tanto quanto sua irmã. E precisam ser protegidos.
Os demais, vão para suas casas, procurem o que fazer e deixem a polícia e o Ministério Público cumprirem o seu dever.
Ah, já ia esquecendo, tem a imprensa. Essa que se importe em divulgar os fatos sem estimular a execração pública de ninguém.
É o que penso.
Escrito por Jose Carlos às 22h41
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